quinta-feira, dezembro 04, 2008

sábado, novembro 29, 2008

O que as núvens disseram


Vamos girar os ponteiros no sentido anti-horário até que se percam os eixos... Vamos ouir a doce melodia que tocam os dias, sem tentar ser interessante ao ponto de se tornar sociável, ou estranho para escrever seus defeitos. Vamos nos contentar em ser. Eu é, e você também! Sorrir, por que não?!

quinta-feira, outubro 30, 2008

segunda-feira, outubro 27, 2008

.. (dois pontos)


Como começar se esqueci o começo? Bem como esqueci onde guardei minha face. Por isso não começo, prefiro me lembrar dos fins e dos meios que de tanto um dia me serviram. Não inicio uma linha sequer de coesão aclamada porque temo as palavras e me farta qualquer tipo de aclamação - nem os vivas e derramas que cantam à velhice alheia - Não escrevo para parecer inteligente nem superior ou menos que isso, escrevo a alma e antes dela a palavra, palavra por palavra que é alma aprisionada.
Nunca gostei de prisões mas ultimamente me têm parecido útes em demasia, e sem a pretenção de ser nada, apenas de guardar algo importante (tal como os relicários), tomo elas, as prisões, como forma de me guardar em mim mesmo. Me preservando na sutileza de um sorriso, que é a janela para a prisão da alma, por onde entram frestas de felicidade, algo tao complexo que descofio de sua concretidão.
Assim tenho esse amontoado de palavras como a visão em barras de céu. Por onde um dia quis voar mas do meu casaco caíram as penas todas, não tristes, mesmo assim sólidas e solúveis na esquina do pó, mais confiável e macio na queda. Enquanto as núvens são como o amor que é como uma resposta - nunca existe de fato e nos escorrega numa queda infinita até o chão - que é o limite daquilo que é ilimitado, e uma vez encontrado nos faz contentes com as perguntas, apenas!

A HORA DA ESTRELA


A CULPA É MINHA
OU
A HORA DA ESTRELA
OU
ELA QUE SE ARRANJE
OU
DIREITO AO GRITO

Clarice Lispector


QUANTO AO FUTURO
OU
LAMENTO DE UM BLUE
OU
ELA NÃO SABE GRITAR
OU
UMA SENSAÇÃO DE PERDA
OU
ASSOVIO NO VENTO ESCURO
OU
EU NÃO POSSO FAZER NADA
OU
REGISTRO DOS FATOS ANTECEDENTES
OU
HISTÓRIA LACRIMOGÊNICA DE CORDEL
OU
SAÍDA DISCRETA PELA PORTA DOS FUNDOS

quarta-feira, outubro 15, 2008

Sentimento atômico descrito em simples palavras


É engraçado como o acaso acontece. De repente, e não mais que isso, decide-se sair de casa. Talvez para dançar - ou nem isso quando o barulho não se enquandra no substantivo música - e então de repente; de novo não mais que isso, dois corpos se encontram num quase-diálogo de um quase-encontro. Ainda mais engraçado é quando as memórias se chocam; a mesma cena se repete diversas vezes ainda que com uma margem de erro de espaço, tempo ou por simples incapacidade mental no que se refere a recordações.

Ainda me lembro quando meu corpo vibrava, com a força de todos as mínimas estruturas atômicas, ao pensar naquele ser, daquele dia, naquela música. As frases são refeitas e os dias acabam num mesmo propósito e com uma única oração: Que os meus átomos vibrassem na mesma sintonia que os seus, e que grudados ou não, estivessem juntos.

Assim os meus neurônios sensatos - as partes que, não deixando de serem constituídas por átomos, tomam as decisões - tentaram uma comunicação a distância com o ser desejado, e sem alarmes e sem surpresas constataram que os átomos seus ainda não vibravam, e se vibravam não permitiam que assim fosse. Foi então que meu corpo como um todo tentou achar em outros a felicidade encontrada naquele, mas nenhum tinha o mesmo timbre, o mesmo lábio, a mesma cor. E quando a idéia tristemente se encaminhava ao esquecimento, o impossível aconteceu.

Meus lábios estavam agora junto aos seus, nos peitos ardiam um sentimento e nas mentes ecoavam sete letras, de tal modo que hoje não consigo me ver senão junto à pele sua, e no arrepio facilmente me imagino de mãos dadas na areia da praia, ou voando num crepúsculo divino da simplicidade de um vale no interior do mundo. E no interior do meu peito não encontro nada além dela. Sou dela, ainda que nunca faça sentido.

P.S.: Eu te amo

segunda-feira, outubro 06, 2008

incompleto


Pobre dos vivos que ainda carregam duas grandes interrogações: a da vida e da morte! A grande tragédia é não saber como se morre (ao menos sabemos como se vive), para onde vamos então? Juro que não sei relatar fatos, nem criticar o desumanho. Se soubesse diria que o mundo está perdido, e que nem os heróis autodestrutivos sobrevivem aos loucos: partem num lapso de tranquilidade.

quinta-feira, outubro 02, 2008

Ultimamente


Sou um composto só, único e indivisível. De tal modo que me farta toda e qualquer manifestação de complexidade de qualquer ser de qualquer canto... Prefiro, então, as coisas mais simples: um sorriso torto, uma melodia sutil, um fim de tarde vendo o mar! São coisas que me completam, me trasbordam de felicidade. Também ando afastado das coisas tristes. Um forma de me preservar, talvez até por uma questão lógica explicada por físicos, químicos ou escritores, que inclusive é chichê no mundo moderno: semelhantes se opõem de modo que os opostos compartilham os dias.

Não vejo isso como uma fuga de mim mesmo, mas como um cano de escape ou uma saída óbvia para tudo que estava fora do lugar (tal como café sem açúcar ou dança sem par). Se disse um dia que era uma metamorfose ambulante e hoje não o digo mais, é porque assim sou! e metamorfoses são tão comuns...

Se fosse nostálgico diria que as cores eram mais vivas e os dias mais intensos. Mas não sou.

domingo, setembro 28, 2008

São palavras que eu não conto.


E que comprimem meu infinito num processo inverso ao da grande explosão!

sábado, setembro 13, 2008

Nostalgia


Fingindo ser o desconhecimento a única razão dessa vida, me sinto preso a um corpo, não de forma, de solidão apenas. Então me transporto para lugares inexistentes, moldados pela simples vontade de não ser, não existir por um momento na culpa que degrada os dias mal vividos, de sonhos mal durmidos de uma noite escura.

É um tempo rápido para tão sutis pensamentos, que de sua simplicidade se perdem na vastidão dos segundos, fixando os dias em lentos fiascos de desencontro. O paradoxo que há nisso tudo, está em ter o que não se deseja e desejar o que não se tem. Eu quero ver o mar!

E me sinto mais uma vez preso à última frase, solta em um parágrafo desigual, espontânea e viva. Por isso faço dessas palavras suas reticências, o eco daquilo que passou e não volta. Nunca volta.

domingo, agosto 24, 2008

Desculpe, estranho


Eu voltei mais puro do céu.
[O astronauta de mármore - nenhum de nós]

quinta-feira, agosto 21, 2008

Inferno privê - Monólogo do dia frio




Morreram os atores. Meu teatro está face a face com a falência, tremendo as pernas como se viesse o próprio demônio. Nem os pobres românticos sobreviveram: de morte súbita em plena quinta-feira cinzenta. Sinto como se meu sangue entrasse em combustão sem motivo ou razão aparente, sinto como se me envenenasse com próprios venenos de culpa por próprios atos - os que de fato existiram e aqueles que adormeceram no mundo das idéias, esses bem mais tóxicos que os anteriores.
Guerra civil é pouco, vivo em explosões de seis segundos contados, evaporando meu sono cíclico. Seis segundos de longos anos que me apedrejam toda vez que faísca a memória. Palavras... Essas sim são confiáveis! Nem o tédio me surpreende mais.
Estou farto também de me sentir vazio, mundano, fazendo o que nao quero fazer, dizendo o que eu não quero dizer e vendo o mundo se acabar na frieza de frases curtas e mal ditas. Malditas frases curtas.
Boa noite, cadeiras vazias! Que as cortinas se fechem então.

terça-feira, agosto 19, 2008

Suspiros poéticos


Estou farto do lirismo forçado de cada aurora de café, e de menta, e de lágrima!

[Em preto e branco vejo eu

segunda-feira, agosto 18, 2008

Pepsi-cola (Homenagem [in]direta a alguém que, por ventura, faz aniversário hoje)


Os orientais, possuidores de uma sabedoria incrível, derramam lágrimas ao ouvir a palavra "aniversário". A tristeza consiste na ciência de que o indivíduo que assim se encontra viveu mais um ano num mundo onde reinam desigualdades, mentiras e seus afins, guerras e todas as características que o tornam cada vez mais inabitável - como que por ironia é, tambem, cada vez mais habitado.

Nós ocidentais, efêmeros que somos, compramos presentes e com todos os dentes possíveis cantamos melodias mal feitas. Uns, entretanto, preferem sorrir (sem dente algum) e copiar o que conhecidos ou até mesmo o próprio aniversariante fez um dia: dedicam palavras em endereços online... Fazem como a pepsi que, como dizem por ai, não passa da imitação da coca-cola e mesmo assim conquista fans de diversas latitudes (pelo menos não é kichuá). Proferem assim palavras de sinceros sentimentos.

Achei desnecessário citar nomes por medo errar na fórmula e virar dolly guaraná, mas evitar não pude: Rafael, velho... Parabéns. Felicidade é pouco, te desejo tambem tritezas para que com elas saiba glorificar os dias felilizes! Muito radiohead pra você (em pensar que a tempos atrás eu nao sabia nem escrever esse nome) E que o que chamamos de amizade dure por muitos e muitos anos - é dificil encontrar alguém do seu calibre com quem se possa dividir as páginas de um livro ainda idealizado, apenas.

P.S.: Não consegui ir tão fundo assim, talvez minha memória seja falha... Talvez minha habilidade ainda seja falha! Mas as palavras são sinceras.

P.P.S.: E eu adoro pepsi =D

terça-feira, agosto 12, 2008

É verdade.




Ainda que eu falasse a língua dos homens, ainda que eu falasse a língua dos anjos... As ruas vazias de gente continuariam me confiando segredos perdidos de qualquer andarilho noturno que por ali passou em um instante qualquer, perdido na lembrança do último crepúsculo, lento e indescritível, invadindo o peito com a fúria de mil agulhas. Ainda que fosse capaz de ouvir e entender as estrelas, as noites seriam longas mais uma vez, e mais uma vez me mergulhariam num profunto extase, os móveis se moveriam, e de repente se uniriam todos os tempos possíveis num perfeito conjunto de cores e notas musicais.


Ainda que eu soubesse quem sou, não deixaria de me supreender a cada vez que olho no espelho, perdendo minha face em reflexos tais... Estou acordado e todos dormem, e dormem... Num sono envenenado de rotina e desejo, no qual me assumo carne e osso, enquanto vagam os meus espítos solitários. A noite é muito longa, enquanto morro olham para terra do univerno, todos devem encontrar algum lugar no finito sem fim das minhas mentiras. Só o amor conhece a verdade! Espírito sensato, que de egoísmo esconde seu bem maior, nos mergulhando em falsos fragmentos de realidade, com toda a graça com que uma vírgem rouba todo e qualquer fio de racionalidade das nossas mentes; mente como ninguem é capaz de reproduzir... E o mundo fica lilás.

segunda-feira, agosto 04, 2008

E no caminho de Swann me perco e me encontro diversas vezes...


"Cessara de me sentir medíocre, contingente, mortal. De onde me teria vindo aquela poderosa alegria?"

segunda-feira, julho 28, 2008

Resposta (No alarms, but many surprises)


Amizade: onde, uma vez inventada, nada se cria, nada se perde, apenas são transformadas as coisas, inclusive as pessoas. É fato: nossa amizade andou por uns tempos em caminhos distintos, mas que bom que denovo percorre junta, talvez porque nos transformamos, meu velho! (Em algo melhor, é de se esperar).

E mesmo que o contanto ainda seja quase que apenas de dígitos do orkut, msn e blog (por que não?!) a idéia de criarmos um livro juntos foi uma das principais, senão a única, causa da nossa reaproximação, condordo. E também concordo: eu sou estranho, um pouco mais que o diminutivo! Mas agradeço por ainda poder confiar numas poucas pessoas. Juro que me surpreendi em saber que havia virado postagem de blog, e não de qualquer blog, do SEU... O mesmo que um dia me inspirou a criar este em que fasso vivos os meus pensamentos, minha "fábrica de palavras".

Nunca, pessimista que sou, me passaria pela cabeça que poderia ser tão importante assim. Obrigado (a que você deve fazer idéia). E para todos os olhos alheios que por aqui repousarem quero que saibam que eu sei que nada intenderam, e também que estou realmente feliz por isso.

P.S.: Radiohead me ensinou a ver o mundo de outra forma. Muito obrigado por isso também... Não esqueço que parte do que sou hoje foi você que construiu.

sábado, julho 26, 2008

Morte e Vida (meu amor em pó, solúvel)


Me disseram que o amor é uma saudade constante, sem egoísmo nenhum. Também disseram que faz com que as coisas passem como se não passassem, imortalizando-as em sentimentos tais. Acredito eu que o dono de tais palavras respirava amor, sentia amor, vivia dele, com ele e para ele... Em fim, o ser amante era o próprio amor, em comunhão tão perfeita capaz de enganar até os mais atentos olhos.

Que me perdoe respectivo emissor, mas para mim não passam de pensamentos de pálpebras fechadas, que com um complexo emaranhado de cílios adormece cada neurônio. Um a um, caindo como peças de um dominó enfileirado. É quando o sono dos ingênuos desperta um fluxo minunciosamente calculado que inunda até os mais desconhecidos lugares, num misto de teoria e realidade que dispensam qualquer transporte ativo, visto que se propaga de desejo e é energizado por emoção.

E no momento em que das veias pulam melodias surdas e que quase dos olhos brotam lágrimas, a fiel aliança dos cílios se rompe. As pálpebras tornam a se abrir e a pupila diminui, precisa e frágil se exposta aos raios solares. Os neurônios então acordam, e os atos, palpáveis que são, fluem no que denominamos rotina.

Amor proibido? Não. Incoveniente.




quarta-feira, julho 23, 2008

Reforma



Sinto, mas tenho que inventar um novo mundo... Um novo infinito particular que me complete, me defina, ainda que a pobre recíproca não seja das mais verdadeiras. Enquanto falo, os personagens do meu palco interior morrem, pessimistas e lentos como o vento no fim de frase que carrega os fragmentos de pólen mortos por um sonho não alcançado: imagem túrgida de gineceus que nunca conheceram. Insaciável, o melancólico incolor carrega ainda as cores dos suspiros perdidos e dos pingos de chuva, espalhando seu ódio pelas janelas tais.

Abomino, portanto, a primeira pessoa (As coxias estavam sós).

- Assim, o cidadão que aqui escrevia se despede, a abominável primeira pessoa era sua última palavra no leito de morte.

segunda-feira, julho 21, 2008

O casamento da viúva.


Perdido nas vogais e consoantes de um parágrafo, me dou conta de que até os dias se fazem mais intensos quando se tem sol depois de chuva.

segunda-feira, julho 07, 2008

Lágrima:


Gota de humor segregado pelos mais íntimos infinitos!

segunda-feira, junho 30, 2008

Uma resposta para previsíveis perguntas.


Até dou libertade para ser contestado e, assumo, eu gosto disso! Como já disse alguém um dia: Que venham então as críticas. Mas me sinto na única e verdadeira responsabilidade de me arriscar nos horizontes inseguros e obscuros que, supostamente, irão por fim aparecer, não vejo assim outro caminho senão seguir. Que monstros irei por ventura encontar nesses abismos tais? Não sei, sinceramente. Como irei enfrentá-los? Tampouco... Ainda é válido aqui o antigo "quem arrisca não petisca".

Numa dessas arriscadas descobriram as Américas. Nenhum mostro, nenhum combate. Nem alarmes, nem surpresas. Apenas sonhos, quem sabe então realizados... Tento então me descobrir nos olhos de alguém e, pergunto eu, que mal há nisso? Olhos nos quais jorraram oceanos, algum dia enterrados num passsado não muito distante. Procuro o exato fuxo por onde brilhem os olhos desse alguém. Com açúcar e com afeto me deixarei então levar por esse elo que une exatamente as estrelas dos meus olhos e as estrelas dos olhos seus. Assim serei, então, feliz!


E que venham os abismos, e que venham os monstros. Certamente minha aliança luminosa irá me guiar.




quinta-feira, junho 26, 2008

Lembranças juninas


Se São João fosse vivo, ou ao menos tomasse a forma humana por um dia sequer, seria ele fumante. Meu Deus, quanta fumaça! O ar intragável sai das portas das casas inundando todo e qualquer mínimo cubículo que seja. E como se ja não bastasse, inventaram os fogos de artifício: igualmente mal cheirosos além de muito barulhentos.

Posso apostar que os espíritos guerrilheiros revivem seus tempos de glória - Para não dizer de espanto - com esses pedaços de barulho que entregam às crianças, por ironia, ou não, nunca irei saber, chamam-nas de bombas. Nada original: bombinhas de São João. Assim revivem (apartir daqui eu elimino esse verbo, viver ja não é o mais empregado), relembram os tempos de espanto. É até assombroso ver tanto sorriso com essas coisas, que com um elo invisível unem suas pólvoras àquelas que um dia destruiram as nações nada unidas.

Depois do assombro vem a tristeza: onde parou as cantigas? As bandeiras? A sanfona, insaciável? Quando diziam que a modernidade destroi as coisas nunca dei tanto valor...

segunda-feira, junho 16, 2008

Sem Título


Por muitas veses fui eu obrigado, por meu errado pensamento, ou por pensamentos certos porem errados - o que decerto daria no mesmo - a jogar fora, no sentido conotativo por assim dizer, todas as minhas palavras. Ora pois, como pode um mar viver sem água? Sabendo ainda que o real causador de sua falta foi seu próprio ato, bem ou mal pensado, de um dia qualquer facilmente esquecido no misterioso processo o qual denomina-se vida.

Dizem que palavras nos completam, e uma vez arrancadas de nossas mentes são como peças de um quebra-cabeça, se não guardarmos com justo cuidado se perdem e um dia faltam para que o todo se concretize. Assim me encontro. Fragmentado em meu próprio ato de existir. As palavras que um dia me completaram estão agora em um não sei onde, com qualquer num sei quem, ou pior, um não sei que. Quem sabe no estômago do num sei que, sendo digerido letra por letra, vírgula pro vírgula, de enzimas destrutivas e mal cheirosas. Se assim for, tal ser é hoje abençoado, carrega dentro de si pedaços do meu ser, sonho que volta a ser matéria... Como tudo volta àquilo que foi.

Um dia, confesso, fiquei apavorado com essa onda de matéria. Li em algum lugar que um átomo, sutil e pequenino, que agora está na curva do meu nariz, foi uma vez o átomo da cauda de um dinossauro. Sendo assim, espero que um dia meus sonhos se encontrem em algo imortalmente belo. Como o fiapo da pena da asa de um pássaro ou um daquelas sementes do dente-de-leão: livre em sua tragetória, carregado pelo triste vento em horizontes infinitos. Ou quem sabe nas curvas de uma bela mulher de uma bela futura geração de humanos, geração esta que, em fim, é capaz de pensar - e seguindo filósofos - é então capaz de existir.
Quando falo em futura bela geração de seres, não é por acreditar em um progresso de nossa condição biológica, mas sim por carregar comigo alguma esperança que assim um dia venha a ser. E fico feliz por ter esperança, ja que é nela que reside a felicidade. O conforto de ao menos crer em alguma saida, ainda que vista para muitos como uma ilusão, uma forma de mascarar a realidade. Ainda assim tenho esperanças, ainda assim feliz eu sou...

P.S.: Se hoje lhes confio tais palavras é só pelo desejo de entregá-las a algo superior de onde nunca saiam: as suas memórias.

segunda-feira, junho 02, 2008

De repente,


Não mais que de repente.
[...] da calma fez-se o vento que dos olhos desfez a última chama.

quarta-feira, maio 28, 2008

Irei, então, me entorpecer.


Sei que posso estar errado e realmente espero que um dia as opiniões mudem; mas cansei das pessoas. Estou farto de confiar nelas, uso-as como sonífero: vagas e indescritíves me mergulham numa noite sem sonhos, da qual nada sei além do preto que envolve meus olhos. Cansei dos sorrisos convenientes e dos comentários educados que os seguem. Nada de realmente produtivo é dito e o mundo se constroi em cima de segredos... Nem as tão faladas janelas da alma, que seriam então mais confiáveis, puderam escapar: inventaram-se os óculos escuros.

A luz do dia enche de claridade o que antes era negro e só assim posso ver uma única saída: o individualismo. Então me embebedo do doce vinho de mim mesmo, encho minha alma de minha própria alma, faço dos sorrisos longas conversas e das lágrimas longos abraços, redobro-me em personalidades destinhas e até tenho debates internos constantes (nem todas são assim tão amistosas).

E se, por uma suposição prevista, vierem me perguntar se gosto do meu mundo, direi que sim. Esse, por sua vez, é construído pela base sólida dos desejos, tem pilares de ciência e paredes de felicidade; ele é sólido, intacto, previsível e confiável, tem tetos de vidro blindado e chão que está sempre em contato com meus pés. Nele encontro refúgio como a cama quente em noite de frio.

(E ainda há quem prefira amigos imaginários...)

segunda-feira, maio 26, 2008

Debaixo daqueles caracóis..!


Um soluço e a vontade de ficar mais um instante? Não. Um sorriso! Talvez de um tímido adeus: A Deus tudo pertence... Caracóis com os quais o vento carrega as palavras, espalhando sentidos pelo nada infinito.

terça-feira, maio 20, 2008

Ainda assim serei!


Serei feliz. Mesmo com a certeza de que tudo traz consigo alguma incerteza; inclusive tal afirmação... E ainda assim serei feliz! Mesmo sabendo que talvez tudo mude, ou talvez não, o que ainda se encaixa na regra acima citada. Mesmo que carregue nas costas o peso de minhas decisões ou a leveza das mesmas, o que num fim tu irás de ver que contribui para aquilo que sois hoje (não reparem, sou levemente corcundo). Ainda assim feliz serei. Seja pela chuva que passa devagar, pelo dia que de tão lindo te aprisionou em casa por medo de estragá-lo ou pelas flores que lutaram bravamente até aparecerem no meio do asfalto...

Assim serei! Talvez por dias, meses ou anos. Quem sabe por toda vida?! Mas infelizmente dela sou turista. Conheço seu princípio e penso que ainda esteja nele, do resto nada sei. Sei apenas que de tão efêmeras as coisas, são incapazes de serem entendidas... Temo entendê-las. Talvez o entendimento seja o fim, e por mais simples que seja, sempre o tememos.

domingo, maio 18, 2008

Sorriso Noturno.


Vivemos num mundo em ruínas, onde os países estão em ruínas e assim estão os indivíduos entre si. Mas como reformá-lo sem antes modificar a sí mesmo, seus ângulos, seus atos... Sua Cultura? Em meio a tantos destroços, surge um sorriso. Seria um sorriso irônico? Não. Se bem analisado é tímido, espontâneo, revelando com seu brilho todo um universo a se descobrir.

Tento, por meio dessas palavras, codificar o que quis dizer tal sorriso: Brilhe! Mesmo que para tal seja preciso pedir emprestado sua luz com algo superiormente antecessor. Mude! Mudança é sinônimo de vida, se é que existam sinônimos! Mas não se assuste, suas mudanças chocam... É dificil ser claro num mundo completamente escuro. Sonhe! Mesmo que precise morrer todo começo do dia.

Nesse exato momento, a densa camada do equecimento envolveu aquilo que sorria, Restaram-me apenas as palavras e seus subjetivos infinitos particulares! O ser que lá do alto sorria, impedido de qualquer comunicação, viu a escuridão virar claridade, a interrogação agora se encontrava na forma esclamativa e ja se tornara monótono sorrir. O tédio a diluiu e a fonte de luz nasceu!

quinta-feira, maio 15, 2008

terça-feira, maio 13, 2008

Viagem Interior


Uma vez, perdida em suas escrituras, Cecília Meireles distinguio perfeitamente o viajante e o turista. O viajante é aquele que procura saber toda a história do lugar destinado, procurando nele as respostas para o seu prório destino, uma forma de preencher os vazios da alma com a cultura absorvida e tendo sempre em mente a capacidade de se admirar com o novo, mesmo que para tal, seja preciso quebrar barreiras íntimas nunca antes ousadas desafiar. Enquanto o pobre turista, que ao contrário do que digo traz nos bolsos enormes volumes do que considera mais importante para o mundo, se preoculpa apenas com as fotos, a culinária que um dia vai lembrar e contar aos netos e todas as tralhas que vai comprar e depois perceber que de nada servem, então são dadas, com imensa generosidade, como presente para os mais queridos.

Caro leitor, não nego: na vida somos apenas turistas! Daqueles que se acham no direito de descrever o que não sabem, com toda convicção. Daqueles que separam em fases para os novos viajantes que surgem, indicando os melhores caminhos e restaurantes... Nem ao menos a língua do lugar sabemos, portanto é impossivel qualquer comunicação que, em verdade, seria o mais proveitoso para o crescimento do ser.
Somos turistas de um mundo desconhecido, com língua e cultura completamente diferentes. Tiramos algumas fotos, de fato; decoramos algumas frases, levamos consigo alguma lembrança de algo desconhecido, que de tão misterioso guardamos como relíquia. E só assim partimos, com a esperança e a incerteza de que nosso retorno será muito proveitoso, com direito a comentários e lágrimas de saudade!

Enquanto os viajantes da vida se perdem no mundo descoberto, numa viagem tão profunda e sem passagem de volta...

sexta-feira, maio 09, 2008

As pessoas sempre vão.


Direta ou indiretamente as pessoas sempre vão. Vão sem avisar onde, quando ou se retornarão... simplesmente se vão! E quando percebemos já se foram e até desapareceram, seja por livre e espontânea escolha ou por puro esquecimento.

Tal descaso com os fios de vida é completamente insano, visto do ponto em que duas linhas que se cruzam raramente tornam a se encontrar e seus caminhos ficam tão destintos que, para que uma nova encruzilhada ocorra, é preciso curvas bruscas que se arriscam por reproduzir o que um dia abandonaram. E as linhas continuam fluindo, novos encontros acontecem, naturalmente, e novamente se destaciam... o mundo marcha para o esquecimento e a aurora ja é para poucos!

No fim somos apenas nós e nós mesmos, pulando os dias e lutando por um fiapo de vida feliz que nos faça merecer o título de "valeu a pena". Enquanto as linhas, aquelas que um dia se cruzaram ao acaso do tempo, continuam sós como escolheram!

sábado, maio 03, 2008

sexta-feira, abril 25, 2008

quarta-feira, abril 16, 2008

Da Saudade


A natureza da saudadeé ambígua: associa sentimentos de solidão e tristeza - mas, iluminada pela memória, ganha contorno e expressão de felicidade. Quando Garrett a definiu como "delicioso pungir de acerbo espinho", estava realizando a fusão desses dois aspectos opostos na fórmula feliz de um verso romântico.

Em geral, vê-se na saudade o sentimento de separação e distância daquilo que se ama e não se tem. Mas todos os instantes da nossa vida não vão sendo perda, separação e distância? O nosso presente, logo que alcança o futuro, já o transforma em passado. A vida é constante perder. A vida é, pois, uma constante saudade.

Há uma saudade queixosa: a que deseja reter, fixar, possuir. Há uma saudade sábia, que deixa as coisas passarem, como se não passassem. Livrando-as do tempo, salvando a sua essência de eternidade. É a única maneira, aliás, de lhes dar permanência: imortalizá-las em amor. O verdadeiro amor é, paradoxalmente, uma saudade constante, sem egoísmo nenhum.
[Cecilia Meireles]

segunda-feira, abril 14, 2008

Desordem do mundo


Perdoa-me o leitor diser-lhe uma banalidade tão grande: o mundo está descontente. Estão descontentes os países; os indivíduos entre si; descontentes os indivíduos consigos mesmos. O mundo é uma grande casa em desordem, onde todos se sentem com o direito de gritar. Os que gritam não se entendem; e os poucos que saberiam falar proveitosamente, como poderão ser ouvidos, em tamanha confusão?

De tal modo cresceu e se generalizou o hábito da queixa e do protesto que os que sofrem em silêncio passam a ser malvistos. Como nas cenas de desastre, o mais atingido ou está morto ou geme baixinho: mas em redor dele a vizinhança vadia comenta, discutee, esbraveja e encontra uma gloriosa vingança em perder tempo com loquacidade.

Todos opinam; o prazer da opinião parece mesmo estar em proporção direta com o desconhecimento do assunto. Por isso, vamos opinar também. E sem nenhum constrangimento, já que estamos em tão boa companhia.

Pois é assim: o mundo está descontente por se achar em desordem, e não o contrário, como poderia pensar o vizinho. A tendência da Natureza, segundo dizem, é para o equilíbrio; se tudo estivesse em seu lugar, o mundo não estaria descontente.

Isto de estar em seu lugar é uma profunda preoculpação dos espíritos sensatos, em qualquer latitude, O inglês diz: "the right man in the rigth place" - e o bom brasileiro, com muito mais saber decorativo, concorda: "cada macaco no seu galho".

Aproveite-se a imagem para uma fábula, e ver-se-á o mundo qual imensa árvore, desdobrada em infinitos galhos - altos, baixos, curtos, longos, finos, grossos -, com os seus povoadores em completa desordem. Dia e noite a vasta fronde oscilará com a celeuma: no mais denso da verdura está precisamente o macaco-poeta, que gosta de mirar as estrelas; num galho desnudo, o macaco-prático, que apenas se interessa pela fruta; num ramo frágil, o macacão pesado, que aspira a certo conforto; muito elevado, o que sofre de vertigens, o que ama o Sol; e às veses , vinte e trinta num pequeno toco, e apenas um num galho colossal...

Mas, deixemos de fábula: o problema de oferecer ao homem a oportunidade que mais lhe convém para aplicação de suas qualidades de trabalho precisa ser encarado de frente, empregando-se todos os recursos obtidos por duas experiências da mesma espécie, além dos recursos particulares que se suponham mais adequados ao caso brasileiro.

É desnecessário insistir com exemplos: o barbeiro que, enquanto escanhota o freguês, vai dizendo: "Eu, se fosse o ministro de Educação..."; a datilógrafa que, entre os seus erros de ortografia, conversa como colega: "Aquele vestidinho de Alice Faye, com três babadinhos do lado de cá, ficava uma graçinha..."; o chefe da seção, rabugento e mal-criado, que não atende aos interessados e ainda responde: "Eu estou aqui porque estou, mas logo que puder vou para a roça, criar minhas galinhas!" -, todos são pessoas adoráveis, mas desajustadas. Talvez dessem, mesmo, um para ministro, outra para costureira, outro para avicultor. Mas foram mal colocados na vida, suspiram pelo que não puderam ser e, com isso, um corta o queixo do freguês, a outra faz uma correspondência detestável para o seu chefe, e o terceiro mete os papéis na gaveta e esconde a chave - sofrem com a sua neurastenia, e fazem sofrer todos que estão ao seu alcance.

Ora, quem os colocou mal na vida? Contingências da fortuna, falta de previsão dos pais ou professores - mas, sobretudo, o desconhecimento ou desprezo, do ponto de vista individual e psicológico, do problema da "vocação"; e, do ponto de vista técnico e social, do problema da "orientação profissional".

O antigo "conhece-te a ti mesmo" ainda tem aqui a sua aplicação. É pelo conhecimento de suas aptidões, das várias maneiras de combiná-las, que um jovem se pode situar na vida, entregando-se a uma atividade que ao mesmo tempo o satisfaça - por estar de acordo com a sua capacidade - e lhe permita viver dentro de um nível condigno - por estar de acordo com as oportunidades sociais, tendo, portanto, uma valorização razoável.

Mas os jovens não poderão, salvo em casos excepcionais, chegar a essa compreensão por si mesmo. Falta-lhes esperiência. falta-lhes conhecimento especializado do assunto, e - o que é mais grave - em muitos não se encontram nem entusiasmo, nem confiança, nem paciência, nem fé. Estes são os que precisam ser socorridos imediatamentepor educadores competentes, compreensivos, que queiram fazer alguma coisa neste mundo descontente, para uma gereção abalada por tantos espetáculos atrozes.
[Cecília meireles]

quarta-feira, abril 09, 2008

curta reflexão!


Felicidade: sentimento raro! O real objetivo de todas as buscas e descobertas humanas que foram impiedosamente frustradas, como um sonho que se perde num fio da vida. Nisso surgem dúvidas, as mais diversas possíveis, adequadas a cada ser pensante que faz delas existência. Será que para ser feliz é nescessário o sofrimento alheio? Sendo assim... Bem melhor ser triste que ser alegre! Só assim cada um será o próprio causador de suas próprias feridas, essas por suas vez não ferirão ninguém a não ser a si mesmo. Assim, tavez, quem sabe..., poderemos conhecer o verdadeiro significado da felicidade, conhecendo de perto o seu oposto.

segunda-feira, abril 07, 2008

Talvez..!


Não sei por que. E talvez nunca haverei de saber (existem coisas que são feitas para serem entendidas, não explicadas). Não sei o por que, mas prefiro os cantos que os meios. Não por serem mais agradáveis ou por combinarem comigo, talvez até combinem... Pelo contrário, são sujos, e as vezes fedem! É que eles, os cantos , são solitários. Também juro não saber de onde saiu a idéia de que solidão é sinônimo de tristeza... Eu juro! Li uma vez em algum lugar umas dessas frases que nos conquistam pela sua simplicidade, e que fingem não dizer nada: Esses que pensam que existem sinônimos, desconfio que não sabem distinguir as diferentes nuanças de uma cor.

Talvez os que que pensam que entre tristeza e solidão existe, por mais desprezível que seja, alguma semelhança, não conhecem o quão essencial é conhecer a si próprio. É no canto sujo e as veses fedido, que os defeitos e as qualidades se misturam como as tintas de um pintor, que na aquarela ganham vida, perdem a individualidade e na tela se revelam... Um só corpo. Um só espírito. Numa explosão de cor nunca antes vista! E, o melhor, o crítico é o próprio pintor. Se não gostou joga fora e depois recombina todas as cores para melhor o satisfazer. Conhece a ti mesmo que conquitas o mundo. Talvez eu queira conquistar o mundo. O meu mundo! Meu infinito de águas desconhecidas que abrigam mistérios...E os mistérios só têm graça se não forem questionados, portanto nao os questione! Apenas entenda que exitem coisas mágicas, mágicas mesmo. Daquelas que as palavras são muito pequenas para descrevê-las.

Existem mágicas, e os mágicos somos nós mesmos, os donos dos nossos mistérios prontos para serem desvendados! mas como ja foi citado lá em cima, os mistérios são inquestionáveis. Senão, para que viver? Se a vida é um mistério cabe a cada um interpretá-la da forma que a luva couber melhor. E as luvas? Ah... as luvas! Essas sim são mágicas! E a magia está no poder ver e não sentir, num mundo em que as coisas são sentidas mas não podem ser vistas. E as pessoas? Sentidas bem de perto, como uma lembrança ou um aperto no peito, que nem sempre paupáveis são. Espero, um dia, desvendar todos os mistérios que fazem da vida moradia. Mas lamento, estarei morto! mas se tu estiveres vivo, dou um jeito de te contar tudo... Nem que seja por uma carta anônima enviada de algum lugar desconhecido entre os demais, mas acredite... Darei um jeito! Mas se estiveres morto, daremos longas risadas dos cabelos que perdíamos com tão pequenos dinossauros!

Talvez os cantos sejam até um pouco sem graça... Talvez!

[...]


quinta-feira, março 27, 2008

[Quem Sabe um Dia]


Quem Sabe um Dia
Quem sabe um dia
Quem sabe um seremos
Quem sabe um viveremos
Quem sabe um morreremos!

Quem é que
Quem é macho
Quem é fêmea
Quem é humano, apenas!

Sabe amar
Sabe de mim e de si
Sabe de nós
Sabe ser um!

Um dia
Um mês
Um ano
Um(a) vida!

Sentir primeiro, pensar depois
Perdoar primeiro, julgar depois
Amar primeiro, educar depois
Esquecer primeiro, aprender depois

Libertar primeiro, ensinar depois
Alimentar primeiro, cantar depois

Possuir primeiro, contemplar depois
Agir primeiro, julgar depois

Navegar primeiro, aportar depois
Viver primeiro, morrer depois

domingo, março 02, 2008

Poema dialético (Murilo Mendes)


É necessário conhecer seu próprio abismo

E polir sempre o candelabro que o esclarece.


Tudo no universo marcha, e marcha para esperar:

Nossa existência é uma vasta espectação

Onde se tocam o princípio e o fim.

A terra terá que ser retalhada entre todos

E restituída em tempo à sua antiga harmonia.

Tudo marcha para a arquitetura perfeita:

A aurora é coletiva.