sexta-feira, abril 25, 2008

quarta-feira, abril 16, 2008

Da Saudade


A natureza da saudadeé ambígua: associa sentimentos de solidão e tristeza - mas, iluminada pela memória, ganha contorno e expressão de felicidade. Quando Garrett a definiu como "delicioso pungir de acerbo espinho", estava realizando a fusão desses dois aspectos opostos na fórmula feliz de um verso romântico.

Em geral, vê-se na saudade o sentimento de separação e distância daquilo que se ama e não se tem. Mas todos os instantes da nossa vida não vão sendo perda, separação e distância? O nosso presente, logo que alcança o futuro, já o transforma em passado. A vida é constante perder. A vida é, pois, uma constante saudade.

Há uma saudade queixosa: a que deseja reter, fixar, possuir. Há uma saudade sábia, que deixa as coisas passarem, como se não passassem. Livrando-as do tempo, salvando a sua essência de eternidade. É a única maneira, aliás, de lhes dar permanência: imortalizá-las em amor. O verdadeiro amor é, paradoxalmente, uma saudade constante, sem egoísmo nenhum.
[Cecilia Meireles]

segunda-feira, abril 14, 2008

Desordem do mundo


Perdoa-me o leitor diser-lhe uma banalidade tão grande: o mundo está descontente. Estão descontentes os países; os indivíduos entre si; descontentes os indivíduos consigos mesmos. O mundo é uma grande casa em desordem, onde todos se sentem com o direito de gritar. Os que gritam não se entendem; e os poucos que saberiam falar proveitosamente, como poderão ser ouvidos, em tamanha confusão?

De tal modo cresceu e se generalizou o hábito da queixa e do protesto que os que sofrem em silêncio passam a ser malvistos. Como nas cenas de desastre, o mais atingido ou está morto ou geme baixinho: mas em redor dele a vizinhança vadia comenta, discutee, esbraveja e encontra uma gloriosa vingança em perder tempo com loquacidade.

Todos opinam; o prazer da opinião parece mesmo estar em proporção direta com o desconhecimento do assunto. Por isso, vamos opinar também. E sem nenhum constrangimento, já que estamos em tão boa companhia.

Pois é assim: o mundo está descontente por se achar em desordem, e não o contrário, como poderia pensar o vizinho. A tendência da Natureza, segundo dizem, é para o equilíbrio; se tudo estivesse em seu lugar, o mundo não estaria descontente.

Isto de estar em seu lugar é uma profunda preoculpação dos espíritos sensatos, em qualquer latitude, O inglês diz: "the right man in the rigth place" - e o bom brasileiro, com muito mais saber decorativo, concorda: "cada macaco no seu galho".

Aproveite-se a imagem para uma fábula, e ver-se-á o mundo qual imensa árvore, desdobrada em infinitos galhos - altos, baixos, curtos, longos, finos, grossos -, com os seus povoadores em completa desordem. Dia e noite a vasta fronde oscilará com a celeuma: no mais denso da verdura está precisamente o macaco-poeta, que gosta de mirar as estrelas; num galho desnudo, o macaco-prático, que apenas se interessa pela fruta; num ramo frágil, o macacão pesado, que aspira a certo conforto; muito elevado, o que sofre de vertigens, o que ama o Sol; e às veses , vinte e trinta num pequeno toco, e apenas um num galho colossal...

Mas, deixemos de fábula: o problema de oferecer ao homem a oportunidade que mais lhe convém para aplicação de suas qualidades de trabalho precisa ser encarado de frente, empregando-se todos os recursos obtidos por duas experiências da mesma espécie, além dos recursos particulares que se suponham mais adequados ao caso brasileiro.

É desnecessário insistir com exemplos: o barbeiro que, enquanto escanhota o freguês, vai dizendo: "Eu, se fosse o ministro de Educação..."; a datilógrafa que, entre os seus erros de ortografia, conversa como colega: "Aquele vestidinho de Alice Faye, com três babadinhos do lado de cá, ficava uma graçinha..."; o chefe da seção, rabugento e mal-criado, que não atende aos interessados e ainda responde: "Eu estou aqui porque estou, mas logo que puder vou para a roça, criar minhas galinhas!" -, todos são pessoas adoráveis, mas desajustadas. Talvez dessem, mesmo, um para ministro, outra para costureira, outro para avicultor. Mas foram mal colocados na vida, suspiram pelo que não puderam ser e, com isso, um corta o queixo do freguês, a outra faz uma correspondência detestável para o seu chefe, e o terceiro mete os papéis na gaveta e esconde a chave - sofrem com a sua neurastenia, e fazem sofrer todos que estão ao seu alcance.

Ora, quem os colocou mal na vida? Contingências da fortuna, falta de previsão dos pais ou professores - mas, sobretudo, o desconhecimento ou desprezo, do ponto de vista individual e psicológico, do problema da "vocação"; e, do ponto de vista técnico e social, do problema da "orientação profissional".

O antigo "conhece-te a ti mesmo" ainda tem aqui a sua aplicação. É pelo conhecimento de suas aptidões, das várias maneiras de combiná-las, que um jovem se pode situar na vida, entregando-se a uma atividade que ao mesmo tempo o satisfaça - por estar de acordo com a sua capacidade - e lhe permita viver dentro de um nível condigno - por estar de acordo com as oportunidades sociais, tendo, portanto, uma valorização razoável.

Mas os jovens não poderão, salvo em casos excepcionais, chegar a essa compreensão por si mesmo. Falta-lhes esperiência. falta-lhes conhecimento especializado do assunto, e - o que é mais grave - em muitos não se encontram nem entusiasmo, nem confiança, nem paciência, nem fé. Estes são os que precisam ser socorridos imediatamentepor educadores competentes, compreensivos, que queiram fazer alguma coisa neste mundo descontente, para uma gereção abalada por tantos espetáculos atrozes.
[Cecília meireles]

quarta-feira, abril 09, 2008

curta reflexão!


Felicidade: sentimento raro! O real objetivo de todas as buscas e descobertas humanas que foram impiedosamente frustradas, como um sonho que se perde num fio da vida. Nisso surgem dúvidas, as mais diversas possíveis, adequadas a cada ser pensante que faz delas existência. Será que para ser feliz é nescessário o sofrimento alheio? Sendo assim... Bem melhor ser triste que ser alegre! Só assim cada um será o próprio causador de suas próprias feridas, essas por suas vez não ferirão ninguém a não ser a si mesmo. Assim, tavez, quem sabe..., poderemos conhecer o verdadeiro significado da felicidade, conhecendo de perto o seu oposto.

segunda-feira, abril 07, 2008

Talvez..!


Não sei por que. E talvez nunca haverei de saber (existem coisas que são feitas para serem entendidas, não explicadas). Não sei o por que, mas prefiro os cantos que os meios. Não por serem mais agradáveis ou por combinarem comigo, talvez até combinem... Pelo contrário, são sujos, e as vezes fedem! É que eles, os cantos , são solitários. Também juro não saber de onde saiu a idéia de que solidão é sinônimo de tristeza... Eu juro! Li uma vez em algum lugar umas dessas frases que nos conquistam pela sua simplicidade, e que fingem não dizer nada: Esses que pensam que existem sinônimos, desconfio que não sabem distinguir as diferentes nuanças de uma cor.

Talvez os que que pensam que entre tristeza e solidão existe, por mais desprezível que seja, alguma semelhança, não conhecem o quão essencial é conhecer a si próprio. É no canto sujo e as veses fedido, que os defeitos e as qualidades se misturam como as tintas de um pintor, que na aquarela ganham vida, perdem a individualidade e na tela se revelam... Um só corpo. Um só espírito. Numa explosão de cor nunca antes vista! E, o melhor, o crítico é o próprio pintor. Se não gostou joga fora e depois recombina todas as cores para melhor o satisfazer. Conhece a ti mesmo que conquitas o mundo. Talvez eu queira conquistar o mundo. O meu mundo! Meu infinito de águas desconhecidas que abrigam mistérios...E os mistérios só têm graça se não forem questionados, portanto nao os questione! Apenas entenda que exitem coisas mágicas, mágicas mesmo. Daquelas que as palavras são muito pequenas para descrevê-las.

Existem mágicas, e os mágicos somos nós mesmos, os donos dos nossos mistérios prontos para serem desvendados! mas como ja foi citado lá em cima, os mistérios são inquestionáveis. Senão, para que viver? Se a vida é um mistério cabe a cada um interpretá-la da forma que a luva couber melhor. E as luvas? Ah... as luvas! Essas sim são mágicas! E a magia está no poder ver e não sentir, num mundo em que as coisas são sentidas mas não podem ser vistas. E as pessoas? Sentidas bem de perto, como uma lembrança ou um aperto no peito, que nem sempre paupáveis são. Espero, um dia, desvendar todos os mistérios que fazem da vida moradia. Mas lamento, estarei morto! mas se tu estiveres vivo, dou um jeito de te contar tudo... Nem que seja por uma carta anônima enviada de algum lugar desconhecido entre os demais, mas acredite... Darei um jeito! Mas se estiveres morto, daremos longas risadas dos cabelos que perdíamos com tão pequenos dinossauros!

Talvez os cantos sejam até um pouco sem graça... Talvez!

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