quinta-feira, outubro 30, 2008

segunda-feira, outubro 27, 2008

.. (dois pontos)


Como começar se esqueci o começo? Bem como esqueci onde guardei minha face. Por isso não começo, prefiro me lembrar dos fins e dos meios que de tanto um dia me serviram. Não inicio uma linha sequer de coesão aclamada porque temo as palavras e me farta qualquer tipo de aclamação - nem os vivas e derramas que cantam à velhice alheia - Não escrevo para parecer inteligente nem superior ou menos que isso, escrevo a alma e antes dela a palavra, palavra por palavra que é alma aprisionada.
Nunca gostei de prisões mas ultimamente me têm parecido útes em demasia, e sem a pretenção de ser nada, apenas de guardar algo importante (tal como os relicários), tomo elas, as prisões, como forma de me guardar em mim mesmo. Me preservando na sutileza de um sorriso, que é a janela para a prisão da alma, por onde entram frestas de felicidade, algo tao complexo que descofio de sua concretidão.
Assim tenho esse amontoado de palavras como a visão em barras de céu. Por onde um dia quis voar mas do meu casaco caíram as penas todas, não tristes, mesmo assim sólidas e solúveis na esquina do pó, mais confiável e macio na queda. Enquanto as núvens são como o amor que é como uma resposta - nunca existe de fato e nos escorrega numa queda infinita até o chão - que é o limite daquilo que é ilimitado, e uma vez encontrado nos faz contentes com as perguntas, apenas!

A HORA DA ESTRELA


A CULPA É MINHA
OU
A HORA DA ESTRELA
OU
ELA QUE SE ARRANJE
OU
DIREITO AO GRITO

Clarice Lispector


QUANTO AO FUTURO
OU
LAMENTO DE UM BLUE
OU
ELA NÃO SABE GRITAR
OU
UMA SENSAÇÃO DE PERDA
OU
ASSOVIO NO VENTO ESCURO
OU
EU NÃO POSSO FAZER NADA
OU
REGISTRO DOS FATOS ANTECEDENTES
OU
HISTÓRIA LACRIMOGÊNICA DE CORDEL
OU
SAÍDA DISCRETA PELA PORTA DOS FUNDOS

quarta-feira, outubro 15, 2008

Sentimento atômico descrito em simples palavras


É engraçado como o acaso acontece. De repente, e não mais que isso, decide-se sair de casa. Talvez para dançar - ou nem isso quando o barulho não se enquandra no substantivo música - e então de repente; de novo não mais que isso, dois corpos se encontram num quase-diálogo de um quase-encontro. Ainda mais engraçado é quando as memórias se chocam; a mesma cena se repete diversas vezes ainda que com uma margem de erro de espaço, tempo ou por simples incapacidade mental no que se refere a recordações.

Ainda me lembro quando meu corpo vibrava, com a força de todos as mínimas estruturas atômicas, ao pensar naquele ser, daquele dia, naquela música. As frases são refeitas e os dias acabam num mesmo propósito e com uma única oração: Que os meus átomos vibrassem na mesma sintonia que os seus, e que grudados ou não, estivessem juntos.

Assim os meus neurônios sensatos - as partes que, não deixando de serem constituídas por átomos, tomam as decisões - tentaram uma comunicação a distância com o ser desejado, e sem alarmes e sem surpresas constataram que os átomos seus ainda não vibravam, e se vibravam não permitiam que assim fosse. Foi então que meu corpo como um todo tentou achar em outros a felicidade encontrada naquele, mas nenhum tinha o mesmo timbre, o mesmo lábio, a mesma cor. E quando a idéia tristemente se encaminhava ao esquecimento, o impossível aconteceu.

Meus lábios estavam agora junto aos seus, nos peitos ardiam um sentimento e nas mentes ecoavam sete letras, de tal modo que hoje não consigo me ver senão junto à pele sua, e no arrepio facilmente me imagino de mãos dadas na areia da praia, ou voando num crepúsculo divino da simplicidade de um vale no interior do mundo. E no interior do meu peito não encontro nada além dela. Sou dela, ainda que nunca faça sentido.

P.S.: Eu te amo

segunda-feira, outubro 06, 2008

incompleto


Pobre dos vivos que ainda carregam duas grandes interrogações: a da vida e da morte! A grande tragédia é não saber como se morre (ao menos sabemos como se vive), para onde vamos então? Juro que não sei relatar fatos, nem criticar o desumanho. Se soubesse diria que o mundo está perdido, e que nem os heróis autodestrutivos sobrevivem aos loucos: partem num lapso de tranquilidade.

quinta-feira, outubro 02, 2008

Ultimamente


Sou um composto só, único e indivisível. De tal modo que me farta toda e qualquer manifestação de complexidade de qualquer ser de qualquer canto... Prefiro, então, as coisas mais simples: um sorriso torto, uma melodia sutil, um fim de tarde vendo o mar! São coisas que me completam, me trasbordam de felicidade. Também ando afastado das coisas tristes. Um forma de me preservar, talvez até por uma questão lógica explicada por físicos, químicos ou escritores, que inclusive é chichê no mundo moderno: semelhantes se opõem de modo que os opostos compartilham os dias.

Não vejo isso como uma fuga de mim mesmo, mas como um cano de escape ou uma saída óbvia para tudo que estava fora do lugar (tal como café sem açúcar ou dança sem par). Se disse um dia que era uma metamorfose ambulante e hoje não o digo mais, é porque assim sou! e metamorfoses são tão comuns...

Se fosse nostálgico diria que as cores eram mais vivas e os dias mais intensos. Mas não sou.